Thursday, June 3, 2010

"Batatinha" com abajour na cabeça: Esterilizar ou não?

Post para as cachorrólatras de plantão...


Na terça-feira "decidimos uma indecisão", dessas que ficam martelando e incomodando com dúvidas, prós e contras... Que quanto mais pensamos, mais perguntas e dúvidas aparecem... Sabem como? Então: esterilizamos a Kira, nossa filhotinha quatro-patas. E foi a melhor coisa que fizemos!


Muita gente é contra, acha que é um trauma desnecessário para a cadela (ou o cachorro), que é caro demais, não vale a pena, que é invasivo demais... Bom, eu já estava convencida de que seria a melhor coisa pra ela, mas isso vem de toda a minha experiência, sendo bichólotra criada por bichólatras e neta de veterinário-bichólotra. Por tudo o que eu já vi, vivenciei, ouvi nesses 31 aninhos (recém-completos, ok?), sei que os prós são muito mais numerosos que os contras nesse caso, quando, acima de tudo, não há intenção de ter filhotes. O mesmo vale para quando se sabe que a cadela não vai mais ter ninhadas. Não é por ser um "método anticoncepcional", que é também, mas é pela saúde. A esterilização não é para "ligar as trompas", na verdade se retira tudo e isso evita que no futuro a cadelinha tenha inflamações sérias e mesmo tumores, câncer no útero e ovário, especialmente com a idade. Fora que, para quem não quer colocar calcinha com absorvente (fica ridiculo, mas fofo), nem ficar limpando a casa o tempo todo, é uma mão na roda. 


Bom, chega de papo "técnico", vou contar como foi. Não, não a operação, até porque eu não assisti e não é um blog "plantão médico". Mais uma vez fiquei hiper bem impressionada como as coisas acontecem por aqui. Já tinha ido à veterinária antes e tinha gostado. Nós marcamos a cirurgia da Kira na semana passada e eles só pediram que ela estivesse lá às 9h, em jejum. E lá fomos nós com nossa macaquinha (ou batatinha, patatje, kiralda, kiroca, kiratje, kiki... como queiram). A veterinária nos chamou, pediu que NÓS pesássemos a Kira, a colocássemos sobre a mesa... Nos avisou que daria então a anestesia (Todo o tempo nos falava o que iria ser feito, acho isso bem bacana), em seguida, pediu que fossemos para a sala de espera de novo, com a Kira (hã?!) e ficássemos com ela até que a anestesia fizesse efeito e ela dormisse (Ah! entendi). Tudo programado para evitar que o trauma de uma cirurgia fosse ainda maior, que o nível de estresse fosse grande. Amei. 


Estávamos preocupados porque a Kira tem pavor de ser abandonada, deixada para trás e isso vem desde filhotinha. Adotamos nossa filhota em junho do ano passado, ela tinha menos de um ano e meio, tinha sido resgatada filhotinha pela dierenambulance e já tinha sido adotada e devolvida uma vez e essa adoção parece que não foi das mais legais pra ela, ou seja: coisa demais em menos de 1 ano e meio de vida. Mas, hoje ela é babada, dengada, apertada, cosquinhada... E mais que amada. Bom, sabendo desse pânico, tínhamos até decidido que eu ficaria com ela até a cirurgia começar, para que ela não ficasse em um canil até a hora. Ficamos aliviados quando vimos que era tão diferente do que conhecíamos. Eu nunca tinha visto no Brasil essa técnica (simples, barata e óbvia) para deixar o cachorro mais confortável, mais tranqüilo. Tão humana, tratando como um ser e não como uma coisa. Mais uma vez, amei. 


Quando ela apagou no meu colo a veterinária veio com a assistente e de forma carinhosa me perguntou se elas poderiam assumir dali pra frente, se EU estava ok, preparada. Claro. E disseram que eu poderia ligar um pouco antes de meio dia para ter notícias, saber se ela já estava acordando... E que por volta das 14h30 poderíamos buscá-la. Bom, as 11h45 (coisa de mãe, vai, quase meio dia) me avisaram de que tinha sido perfeito, de que ela estava acordando bem rápido, mas que estava calma, dormindo sobre um almofadão sob uma luz para mantê-la quentinha e confortável. ohhhh. Como mãe-de-filhota-4-patas que sou, fiquei aliviada e quase chorei com o tratamento que a filhota estava recebendo depois de tudo que ela já passou na vida. Eu sei... Mas, sou assim hahaha. Às 15h fomos em petit-comité buscá-la: Eu, a sogra-vó (que baba tanto ou mais que eu) e a Marenne. Marenne é a menininha que eu comentei no post "coisas de remelvarti", ela continua vindo aqui quase todos os dias para brincar com a Kira, passear com ela. E é ótimo, pra todo mundo! Pra ela, pra Kira, pra nós... 


Marenne chegou aqui com um cartão de aniversário para mim e três presentinhos para Kira, para ela melhorar!!! Embrulhados em papel rosa com fita prateada e tudo! Levamos para o "hospital". Chegamos lá, Batatinha ainda estava beeeem molenguinha, acordando, mas feliz da vida e doida para ir embora. Poucas recomendações necessárias: não se esforçar demais no primeiro dia, não subir escada, tomar analgésico por mais dois dias e... Não deixar lamber os pontos!! Ou seja: Abajour (ou jur) na cabeça! Ai. E isso por 10 dias! Até dia 12. Quem conhece a filhota sabe como vai ser para fazermos isso: Ela é agitadíssima, adora correr, "rueira"como o quê, pula de um sofá para o outro quase como esquilo-voador, sobe a escada em quase um pulo... Assim que botamos o abajur (ou jour :-P) em volta do pescoço, ela ficou doida, parecia uma injeção de adrenalina. Ai... A noite seria longa! A noite, os dias...




Ela nos surpreendeu. Não ligou a mínima para os pontos, pelo menos ainda não (quando começar a cicatrizar e a coçar ela vai endoidar), o que permitiu que tirassemos o abajour dela e que ela ficasse sem a maior parte do dia,só colocamos mesmo quando saímos e quando vamos dormir. Por falar em dormir, o que é isso mesmo, hein?! Aff... Ela dorme entre os quartos, na caminha dela, mas por causa da escada, decidimos coloca-la no chao no quarto, perto de mim. A primeira noite foi de cão (no mal sentido. Então, de "gato" pra ela). A bichinha não arranjava posição para dormir pelos pontos, pela dor e pelo abajur. Não chorava, mas gemia de cortar o coração. Terminou em cima da cama, com a gente dengando, acalmando... A noite foi feita de cochilos. De manhã, com o analgésico, ela conseguiu dormir e a segunda noite foi bem melhor. 




Ontem corri no veterinário porque um dos pontos soltou, mas era um externo, então é so manter o curativo limpo e ficar de olho. Que bom. A figura está cheia de energia, revoltada por não poder ir rolar na lama do parque, nadar no laguinho, correr solta... Já está latindo para o vizinho, puxando a gente na coleira... Ótimos sinais. Ontem comeu um pouco, atacou um dos presentinhos da Marenne (o sapatinho) e comeu inteiro... Ufa. Deu certo! Está dando certo! Estou feliz com nossa decisão e com a certeza de que foi o melhor pra ela. 


Beijocas!!!


P.s: Esqueci de contar: o analgésico que ela tem que tomar é para cachorro. Até aí nada demais. Mas é em formato de bloquinho de ração e com cheiro e, segundo a bula, gosto de biscoito de cachorro. Perfeito!! Não temos que enfiar goela a baixo e segurar o focinho, nem esconder no pão, ela pega com gosto da nossa mão e ainda olha querendo mais!

6 comments:

Line said...

Fefa!!!!!

Mande um beijo da tia para a Kiroquinha! Tadinha, que dó...
Sabe que só de ler me deu vontade de chorar, pensando na Brisoca! Quando fui com ela colocar o microchip no Brasil, que é do tamanho de um caroço de arroz, eu quase caí pra trás, eu suava e tremia de nervoso! Depois fiquei tendo pesadelos que o chip andava pelo corpo dela, não me aguentei e acabei voltando no veterinário pra ele dar uma "bipada" nela pra conferir se estava no lugar certo, rsrsrs. Sou boba né?!

Mas olha, se vc não quer que ela cruze, tomou a decisão certa! Eu queria ter achado um namoradinho pra Brisa no ano passado, mas ela nos enganou e entrou no cio mais cedo do que esperávamos. Mas desse ano não passa!!! Quero a casa cheia de brisoquinhos e brisoquinhas, haha!

Beijão Fefa!!!

que invejinha de vc, que com um tempo desses deve estar lekker buiten!

Simone said...

Onnn que linda!!! Se tem uma coisa que eu amo nesse mundo são cachorros. Meu Johnny sempre teve muitos problemas de saúde, é epilético também, então vira e mexe temos uns sustos de sair correndo pro veterinário, chorando, porque eu me desespero e não ajudo muito.

Pensamos em castrar o meu filhote, mas os veterinários dizem que pode ser um pouco perigoso pela medicaçao que ele toma devido a epilepsia, a operaçao já foi cancelada duas vezes.

Mas é o xodó da casa, quando eu vim pra Holanda, chorei tanto com ele no meu colo que o meu bebe ficou todo molhado, e tinha fotos do Johnny espalhados pelo meu quarto todo. Meu pai se incubiu de fazer as vezes de pai do Johnny, quando ligo pra casa todas as noticias são sobre ele, apesar de já ter 6 anos, meu pai nota qualquer truque novo que o johnny aprendeu, conversa, passeia, é como um filho mesmo.

Agente sempre quer o melhor pra eles, sou muito bobona com cachorro viu. Espero que a Kira se recupere logo, e possa aproveitar muito o verão :)

beijao

Ana Laura said...

Ai que fofa!! eu tbm tenho uma filinha aqui, e é minha vida!! sou apaixonada por cachorros!!
Quando à esterilizar, eu nao quero fazer isso com a minha nao, até pq qro que ela tenha filhotinhos! e ela nao me dà um pingo de trabalho, pois ela tem a hora dela fazer as necessidades, e tenho que sair com ela 3 vezes ao dia! mas adoroo! apesar de ser meio corrido, da tempo!!
acheiii engraçado esse abajour!! tadinha!! hehehe
bjoo

Rosane said...

Fefa, até com o "jour" a Kira fica linda!!! Mas o bom é que é só até o dia 12... passa voando...

Os meus gatos (esta é a minha paixão) são sempre esterilizados. Sim, tenho um pouco de pena, mas no caso deles acho a melhor saída.

Ai Amaline, não te aguentei com a narrativa do chip hehehe...

bjos

fefa said...

Line, beijos mandados e retribuídos com lambidas :-P Deu peninha, mas ela está sendo uma coisa fofa.Vc viu, né?! Como está quieta, comportada com os pontos. hahahaha desculpa, mas eu tive que pensar no "viagem insólita" :-P Se ela ainda tivesse um dennis quaid novinho verão cachorro no chip, ne?! :-P Então somos 2 bobas. Sou igualzinha. Ahhh, mas a casa cheia de brisoquinhas e brisoquinhos vai ser o máximo! Quero só ver.

Simone - Eu tb!!! O seu Johnne é lindo demais! Adorei as fotos no orkut. Lindo. É tão difícil quando eles tem esses probleminhas, não?! Já passei por isso, não com a Kira, e é realmente como filho. O veterinário tem razão. Castrar/esterilizar só mesmo se não houver nenhuma contra-indicação. Se estiver tudo ok com a saude e ninguem melhor que o veterinário para nos orientar ;-) Que fofo o seu pai! Eu tb sempre tenho noticia dos meus peludos que ficaram no Brasil. Mas, falta pouco pra voce matar as saudades ;-) Passa rápido. Obrigada! Ela já está danadinha, cheia de energia.

Ana Laura - Oba! Mais uma para o clube de cachorrólatras hahahaha Mas, faz tão bem... É, se voce quer que ela tenha filhotinhos, não é a hora. Mas depois, converse com o veterinário sobre as opções. A Kira tb só faz xixi e coco quando saimos com ela (tb 3 vezes e mais uma "mini-walk" para um xixi rápido :-P), qdo falei em limpar é mesmo o sangue durante o cio, que não é muito, mas tem gente que tem nessa a principa vantagem em esterilizar. Acho que é a menos importante, mas tb conta. Fica engraçado mesmo o abajour. Mas agora é só pra dormir.

Rô, está passando rápido mesmo! Ainda bem. Sexta, se tudo der certo, ela se livra. Ah, mas gato é tb uma delicia. Os meus sobrinhos são muito lindos, muito fofos. É a melhor saída e eles se recuperam bem geralmente.

Beijo!

Daniel said...

Olá, se você ver a minha cadela vai dizer que são gêmeas, ela acabou de ser castrada, por enquanto tudo bem, tirando os problemas do primeiro dia, agora ela esta bem melhor, o que acontece é que tenho que trabalhar e deixa-la sozinha o dia todo, e isto esta me deixando muito preocupado, ao colocar o colar no pescoço dela, me cortou o coração... ela ficou estática, imóvel, olhando pra mim com aquele olhar triste... aí tirei o colar, afinal o veterinário que operou ela, disse que lamber ocasionalmente não faz mal, mas vou ficar extremamente preocupado, vou ficar tranquilo, quando tudo isso acabar, mas parece que esse dia vai custar... Também fiquei com dó de privar ela, das coisas boas da vida, de privar ela de ser cachorro, dizem que a castração traz inúmeros beneficios pro cão, mas acho que o maior beneficiado é o dono... Triste seria se os nossos pais nos castrassem, só para nóis não sairmos mais para as folias e baladas, e dissessem que era para evitar doenças e filhos, sei que posso estar tratando a cadela como gente, mas pra mim é isto que é, não gosto de trata-la como bicho ou animal.